|
|
|
A Folia de Reis ou Reisado é um auto popular que procura rememorar a jornada dos reis Magos, a partir do momento em que eles recebem o aviso do nascimento do Messias, até a hora em que encontram o Deus-menino na lapinha. Fazendo parte, pois, do ciclo natalino, o cortejo de foliões desfila cantando no campo ou pelas ruas da cidades.
A presença dos palhaços tem sido um elemento constante nas Folias. Segundo explicação dos próprios foliões, os mascarados representam o mal, sendo a concretização dos soldados de Herodes ou do próprio demônio. Com essa vinculação ao mal, os palhaços seriam impedidos de tocar a bandeira sagrada da Folia, nunca podendo ficar à sua frente no cortejo. Há outras interdições para os palhaços, como a impossibilidade de se aproximarem do presépio ou, em alguns casos, de só entrarem na casa visitada após os cantos finais, ainda assim retirando as máscaras.
Por todas as análises já vistas, a Folia de Reis dos Arturos se apresentou como uma incógnita a ser decifrada. Diferentemente dos modelos analisados, os palhaços constituem o elemento sagrado da festa. E, mais do que isso, são a representação diretados reis Gaspar, Melchior e Baltazar. Outro fato marca a sacralidade dos mascarados: é sempre um deles que porta a bandeira.
Segundo o mito, quando os três Reis Magos fugiram de Herodes, Gaspar e Melchior se envergonharam de andar em companhia do negro Baltazar e resolveram desfazer-se de sua presença. Acordando bem cedo, seguiram caminho, enquanto o companheiro permanecia na estalagem. Pela manhã, ao levantar, Baltazar soube que os companheiros já haviam partido. Longe de se magoar, orou a Deus pedindo orientação e seguiu seu destino. A estrela luminosa o conduziu prontamente à gruta de Belém, onde se maravilhou com a graça de se ajoelhar diante da criança divina. Jesus-menino lhe acariciou a pele negra dizendo:
" - Porque foste bom e alegre, eu te conduzi a minha presença. ès bendto entre todos os reis e terás para sempre o dom da alegria e da juventude."
Passou-se muito tempo antes da chegada dos outros Reis: sofrendo os rigores da temperatura e as asperezas do caminho, um chegou velho e alquebrado ( Gaspar ), enquanto o outro, trêmulo e de andar hesitante, parecia sentir todo o frio do mundo ( Belchior ).
O mito nos coloca diante dos três palhaços da Folia dos Arturos, caracterizando a gênese da festa: o negro Bastião, o alegre e saltitante homem das perguntas e das brincadeiras; o Véio, representante da decrepitude dos que seguem os percursos mais longos para chegar à Verdade; e o Friage, o mascarado que só treme e gagueja sentindo o frio dos que renegam a alegria e a humildade.
A
fundamentação
mítica que
conta a história
do rei negro
resgatado por
Jesus foi a
origem da
Folia que
Arthur Camilo
Silvério
ensinou a seus
filhos. A
resistência
étnica
que norteou a
fundação da
comunidade dos
Arturos se
refaz e se
reforça numa
festa que
celebra a
comunhão da
família
celeste e da
família
humana. |
Apresentação História Localização Ecoturismo Atrativos Naturais Hospedagem Alimentação
Copyright © 2000 carrancas.com.br. Todos os direitos reservados.