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Onde o tempo desacelera para você viver uma aventura

Carrancas é desses lugares pitorescos que guardam verdadeiros tesouros naturais. Aprecie a hospitalidade mineira, a culinária rica e preste atenção ao som das águas, pois eles são o verdadeiro caminho das pedras desta linda cidade do interior de Minas Gerais

Uma estrada sinuosa leva os visitantes até o alto da serra, de onde é possível avistar as torres da igreja e a pequena cidade rodeada pelas montanhas. A vista inebria pelo verde e pela efusão de vegetações distintas – pedaços de floresta se juntam à mata rasteira e à vegetação próxima do Cerrado para formar o cenário perfeito para o ecoturismo. A grande atração de Carrancas está logo ali, é só se aventurar. São mais de 60 atrações naturais, entre cachoeiras, poços, grutas e escorregadores naturais. Mesmo nos feriados e no carnaval antecipado, que são as datas mais concorridas, é possível encontrar lugares incríveis ainda não descobertos pela maioria dos visitantes.

Muro de adobe
Muro de adobe

O turismo em Carrancas começa a ser uma atividade constante, já que não faz muito tempo que a cidade abriu as portas para receber mais visitantes – antes, a estrada era de terra, foi só em 2004 que o asfalto chegou por aquelas bandas. E com ele, mais visitantes e uma divulgação maior da cidade.
Mas mesmo quem veio de fora e está ali há pouco tempo sabe que as mudanças levam o tempo da natureza para acontecer. E é isso que preserva esse lugar e suas belezas, que estão no chão e na gente que acolhe os “estrangeiros” e transforma todo mundo com a caipirice boa do lugar.

OUÇA O SOM DAS CACHOEIRAS
As mais de 60 atrações naturais da cidade são praticamente intocadas, preservadas pela gente de Carrancas e pelos visitantes, a maioria deles ecoturistas que vêm para, à pé ou de bike, percorrer as serras em busca de paisagens de tirar o fôlego.
Começar a conhecer Carrancas pela Serra provoca uma sensação de plenitude: é como se a natureza deixasse um exemplar de cada espécie, um pedacinho de cada paisagem, em um mesmo lugar. No alto do Mirante da Rampa de Asa Delta, vê-se longe, de Carrancas, passando por Itutinga até onde a vista alcançar, e percebe-se as trilhas naturais formadas pelos campos do cerrado e as matas de galeria, acompanhando os veios das nascentes que descem a serra.
A dificuldade das trilhas pode ir da mais difícil à mais moderada, que pode ser feita até mesmo por quem não esta acostumado ao trekking. E, para que ninguém se perca, três agências de turismo locais oferecem serviço de guias. Aí, é só escolher se quer uma cachoeira grande, um escorregador, visitar uma gruta ou ver as inscrições rupestres nas pedras do Complexo da Zilda. Tem passeio para todos os gostos!
Nos caminhos, as orquídeas e bromélias são companhia constante. Sem falar das borboletas, dos pássaros variados e das Siriemas que podem ser avistados aqui e ali. Já na entrada da cidade, o barulhinho bom de água caindo em algum lugar da mata convida às trilhas naturais. Para encontrar os pequenos pedaços de paraíso, é só seguir o som. Já à esquerda, entrando em Carrancas, é possível, através de um pequeno caminho pouco acidentado, chegar à Cachoeira do Tira-Prosa, aonde muita gente vai dar uma voltinha, já que é praticamente dentro da cidade.
Entre os destinos mais conhecidos dentro de Carrancas estão o Complexo da Fumaça e o Complexo da Zilda. O primeiro é o único que fica em terras públicas e é onde está o principal cartão postal da cidade, a Cachoeira da Fumaça, a cerca de 02 km da cidade. Da Fumaça se chega por trilha à Véu da Noiva, 40m de queda d’água de águas claras e puras, e tem ainda o Fundo da Fumaça, uma queda menor mas de igual beleza, a Cachoeira da Serrinha e a do Luciano. É possível dar a volta no Complexo visitando uma a uma as cachoeiras e poços, um passeio incrível para um dia de sol.
Na Zilda, que tem esse nome em homenagem a uma moradora ilustre de Carrancas, o passeio tem uma dificuldade um pouco maior e requer mais fôlego, mas pode ser feito sem problemas, já que se refrescar é inevitável tanto no escorregador natural de vários metros, cuja inclinação de cerca de 45° permite uma queda tranqüila em águas transparentes, quanto no cenário incrível formado pelo encontro das águas da Cachoeira dos Anjos com as que vêm da “Racha da Zilda”. Passeio para quem sabe nadar e bem, chegar na Racha não é tarefa tão fácil, é preciso atravessar um poço chamado Sonrisal, entrar na gruta que dá passagem para a racha e atravessá-la a nado contra a correnteza. E haja fôlego. Mas, ao chegar ao final da jornada, uma nova cachoeira, no meio da montanha, espera pelos aventureiros, como um troféu para quem conseguiu se superar.
Dali, parte-se pela trilha até chegar na Cachoeira da Zilda, e a paisagem abre-se da trilha na mata para o alto da Cachoeira, de onde avista a queda d’água cerca de 15m abaixo e a prainha de areia, sim, areia branca formada pelas pedras que foram quebradas pelas águas por anos e anos. Mas não se engane quem estiver imaginando que o trajeto é simples: tanto para chegar na Cachoeira dos Anjos quanto na da Zilda é preciso passar pela água, tomando muito cuidado para não escorregar nas pedras molhadas pelos veios d’água. Nada difícil demais, mas é sempre bom estar atento aos recados da natureza.
Da Cachoeira da Zilda, os mais desbravadores podem se aventurar pela mata ou então pela lateral da cachoeira, uma trilha mais perigosa, que requer um pouco mais de cuidado e, porque não, experiência. Mas tomar um banho nas águas limpas do Poço da Proa vale o esforço e a caminhada. Que o digam os privilegiados que já foram lá.
Mas quem acha que acabou por aí está muito, mas muito enganado. Outra trilha famosa da cidade recompensa com mais do que paisagem, com águas calmas e verdes da cor de esmeraldas. O Poço das Esmeraldas, que recebeu este nome em homenagem a suas águas de um verde profundo, é um dos lugares mais visitados de Carrancas, onde novamente o caminho sinuoso e acidentado leva a um pequeno paraíso refrescante.
A partir da pousada da Toca é possível pegar uma pequena trilha em que a lama, por causa das águas da corredeira, é a maior dificuldade. Uma série de atrações, no entanto, vale cada passo dado: o escorregador da Toca inicia bem a viagem e leva até o Poço do Coração, cujo nome, dado por causa de uma rocha neste mesmo formato que “enfeita” o caminho. Como se precisasse de mais enfeites do que a própria natureza do lugar. O Poço promove um banho relaxante, e perto dali, uma pequena banheira natural, que permite duas a três pessoas sentarem na pedra e sentirem a correnteza massageando o corpo faz do passeio ainda mais agradável. Quer diversão? Em um dos poços, dá para atravessar, por baixo da água, uma pedra das grandes, e sair em outra distância.
Imagine toda essa abundância da natureza com o som constante dos pássaros, e vez ou outra das Siriemas, que fazem seus ninhos entre as árvores e que, em certos lugares da cidade, atravessam tranquilamente a estrada, pedindo para serem fotografadas. Aproveite sem interferir na tranqüilidade do lugar, pois a beleza local agradece.
A cada dia, novas trilhas e atrações são descobertas nessa terra de riquezas naturais, de matas, águas e mirantes na serra. Como muitas cachoeiras estão dentro de propriedades particulares e as trilhas têm diferentes graus de dificuldade, o ideal é contratar um guia local para aproveitar ao máximo as possibilidades: caminhadas, cavalgadas, rapel, canyoning, mountain bike, off-road, voo livre, Carrancas é cenário para praticamente todos os esportes naturais. E também para a contemplação. Dá para voltar também com a alma lavada.

UM DEDINHO DE PROSA
Há cerca de 10 anos, Carrancas foi descoberta por um diretor de televisão, e virou cenário constante de novelas. Já foram gravadas ali cenas de América, Alma Gêmea, A Favorita, Paraíso e, mais recentemente Império, todas da Rede Globo de Televisão. O que se tem em Carrancas é tão bonito, que a cidade foi eleita no final de 2007, como uma das sete maravilhas de Minas Gerais, pela Revista Encontro. A cidade passou por um júri formado por conceituados profissionais dos setores de turismo e arquitetura, além de artistas e jornalistas e depois, escolhida pela internet, com mais de 16 mil votos.
“Carrancas sempre é vista nas novelas”, conta Ivan Guimarães – dono de pousada na cidade e um dos empreendedores do turismo na cidade – “quem fica sabendo, por uma revista ou outra, acaba vindo parar aqui para conhecer tanta beleza. Buscamos o turismo consciente, de qualidade”. Marcelo Moreira, cujo pai dá nome à praça da cidade , também é dono de pousada e concorda com a necessidade de um turismo consciente e se orgulha da relação sempre amistosa com os jovens que visitam Carrancas. Conhecedor de toda a região, leva os visitantes em passeios à cavalo pelo Caminho Velho, da Antiga Estrada Real. “Em muitos trechos a estrada está praticamente desfeita”, comenta, “mas o sentido de desbravar está vivo nas trilhas e a paisagem é indescritível”. Só quem já foi pode dizer o quanto é encantador sentir-se em um outro tempo, quando as estradas levavam ouro e as paisagens ainda estavam intocadas.
“Quem vem aqui tem que aproveitar e entrar no ritmo do lugar, dos moradores, respeitar a calma de Carrancas e não impor seu jeito de ser”, afirma ele, agrônomo que estudou fora por 20 anos, mas que voltou à cidade, segundo ele, para cultivar sua caipirice. “O que temos de melhor por aqui é esse jeito manso, as conversas longas, conhecer os vizinhos, os visitantes. Para conhecer Carrancas a fundo, é preciso entregar-se a ela”, afirma.
Pode-se perceber que Anete e Claudinei entregaram-se à cidade e ao jeito brejeiro de ser. Vindos de fora, os dois trouxeram para cá a arte de trabalhar os cristais, uma pequena fábrica de produtos artesanais e uma loja para comercializá-las. Hoje, alguns anos depois, realizam um sonho e comandam uma das pousadas mais atraentes e que também serve aos propósitos de quem procura em Carrancas um momento místico e interior.
Nem todo mundo que vem aqui procura o turismo esotérico especificamente, afirma Anete, mas boa parte dos turistas está em busca de tranqüilidade e de se desfazer dos nós provocados pelo estresse da cidade grande. Tratamentos com cristais, massagens terapêuticas, banhos de ofurô são apenas alguns dos serviços oferecidos pelas pousadas locais. Algumas delas tem piscina aquecida – depois de um banho gelado de cachoeira durante o dia, nada melhor do que relaxar na água quente à noite. E segue a tradição de atender bem e conquistar bem-estar ímpar.

Ô TREM BÃO, SÔ
Quem quiser conhecer o sabor que tem essa terra, é só parar em um dos restaurantes da cidade e pedir a tradicional comida mineira. Um Feijão Tropeiro, um arrozinho, uma carninha de porco, um chouriço, tudo muito bem preparado, com aquele sabor de fazenda. Junte a isso uma cachaça da boa e tem-se Carrancas em sua essência.
Quer saborear algo diferente? Como boa cidade turística, cada vez mais restaurantes estão à disposição dos visitantes, com gastronomia que vai além da mineira e inclui à cozinha alguns toques e pitadas diferentes: em Carrancas, você pode comer crepes, pizzas, uma deliciosa Moranga Recheada, uma Truta Defumada e até uma lasanha de peixe.
Outra atração de Carrancas é a vida na fazenda. Algumas delas oferecem opções de hospedagem – acordar com o canto dos pássaros e beber leite na hora da ordenha são apenas alguns itens da lista. Passar o dia em atrações naturais e a noite proseando na varanda, é mais do que possível, é tarefa obrigatória para quem visita Carrancas.

CARNAVAL NATURAL
A Terra das Cachoeiras, como hoje é conhecida, cresceu como município mineiro com tradição religiosa. Não há carnaval – durante as festas, os homens da cidade fazem um retiro espiritual – mesmo assim, a cidade é visitada na época por centenas de pessoas, que fogem da folia em busca de tranqüilidade e paz. A cada quinze minutos, a religiosidade da cidade se faz presente com o sino da bela Igreja Nossa Senhora da Conceição, patrimônio histórico-cultural de Carrancas.
Para fazer folia de verdade, a época certa é o réveillon ou então o carnaval antecipado, cerca de duas semanas antes do oficial – blocos nas ruas, festejos na praça. Aí sim, a cidade esquece a quietude e vive uma verdadeira festa.

O CAMINHO DOURADO
No caminho para o Complexo da Zilda, pode-se experimentar também uma pequena viagem ao tempo. A cada trecho da estrada, um marco presta homenagem e conta a história da cidade, que faz parte de do Caminho Velho, uma das três principais vertentes da chamada Estrada Real. O Caminho Velho que cortava Carrancas foi a primeira rota oficial, no século XVIII, entre as minas de ouro de Minas Gerais e o porto de Parati, no Rio de Janeiro.
Diz-se que o nome da cidade foi dado por causa de duas pedras em formato de carrancas, viradas uma para a outra. Não se sabe se essas rochas existiram mesmo, mas o que é possível perceber é que a geografia da região dá pano para manga – é só estar com os sentidos todos apurados para encontrar pérolas de vegetação, formações rochosas, fauna e flora.

Pequena história de um paraíso
As viagens até Parati traziam muitas famílias por entre aquelas paragens. Em 1720, o Capitão João de Toledo Piza e Castelhano, seu irmão, Padre Lourenço de Toledo Taques, Salvador Correia Bocarro, Miguel Pires Barreto e José da Costa Morais iniciaram o que se poderia chamar de povoamento. A mineração do ouro fez com que fixassem moradia e trouxessem suas famílias e escravos.
O primeiro registro que se tem de Carrancas, sob o nome de Rio Grande, consta de um batizado, em 1721. Mas apenas em 1748 foi criada a freguesia de Nossa Senhora das Carrancas – que ganhou o nome de Carrancas pelo Decreto n. 148, de 17 de dezembro de 1938 e se tornou município em 09 de abril de 1948.

DISTÂNCIAS
A cidade de Carrancas está localizada a cerca de 300 km da capital mineira. De São Paulo, são pouco mais de 5h. Para chegar, há sempre mais de uma opção.

De Belo Horizonte existem três alternativas:

1) A primeira é pela BR381 (Fernão Dias) até o trevo para a cidade de Lavras. A partir daí o trajeto é pela BR265 até Itutinga. Entrar nesta cidade e seguir 27 quilômetros pela MG451 até Carrancas (trajeto asfaltado).

2) A segunda opção é seguir pela BR040 até Barbacena e de lá acessar a BR265, passando por São João Del'Rei até chegar a Itutinga. Entrar nesta cidade e seguir 27 quilômetros pela MG451 até Carrancas (trajeto asfaltado).

3) A terceira opção é também pela BR381, até o trevo de Bom Sucesso. Seguir pela MG332, passando por Bom Sucesso, Ibituruna e Nazareno. Ao chegar à BR265 seguir sentido Lavras ou São Paulo. Entrar em Itutinga e acessar a MG451 até Carrancas.

Obs: para quem gosta de mais adrenalina, nas opções 2 e 3 pode-se optar pelo caminho da Estrada Real. Na BR265, altura de São Sebastião da Vitória, entrar na estrada de terra com destino a Caquende, Capela do Saco e depois Carrancas.

Para quem sai de São Paulo há duas opções

1) A primeira é pela BR381, a Fernão Dias, até Lavras e de lá para Itutinga e então Carrancas.

2) A outra, bem mais sinuosa, é seguir pela BR116 até a cidade de Cruzeiro. Quase chegando a Cruzeiro, pegar as indicações para Pouso Alto ou Circuito das Águas (Caxambu, São Lourenço, Lambari e Cambuquira). Passar por Pouso Alto, Caxambu, Cruzília e Minduri. De Minduri a Carrancas são 44 quilômetros por estrada de terra.

Para que sai do Rio de Janeiro

O acesso mais prático é pela BR040, passando por Juiz de Fora, Santos Dumont e chegando a Barbacena. Desta cidade pegar as indicações para São João Del'Rei. Seguir então pela BR265 sentido Lavras. Entrar em Itutinga, cidade antes de Lavras. De lá são 27 quilômetros pela MG451 até Carrancas (trajeto asfaltado).

Distâncias:


Belo Horizonte

330 Km(BR040)

Belo Horizonte

290 Km (BR381)

Rio de Janeiro

438 Km

São Paulo

430 Km (Via Dutra)

São Paulo

468 Km (Fernão Dias)

Juiz de Fora

267 Km (BR040)

Lavras

75 Km

Três Corações

77 Km (48 Km terra)

Luminárias

39 Km (estrada de terra)

Barbacena

160 Km

 

QUANDO IR
Os feriados prolongados são as épocas em que Carrancas é mais procurada, por isso, é sempre bom se antecipar nessas épocas e já reservar lugar nas pousadas. No verão, época das bromélias e orquídeas, os dias mais quentes e as chuvas tornam as trilhas mais desafiadoras e então o prazer de encontrar as cachoeiras e poços se intensifica. No entanto, é melhor estar sempre acompanhado por guias, para não ser pego de surpresa em pleno caminho de volta.
A partir de abril, o calor ameniza e as chuvas também. Apesar dos dias que valorizam as caminhadas e os banhos, à noite a temperatura começa a cair bastante. O inverno também tem dias geralmente amenos e noites mais frias, especialmente em junho. Nesta época, a seca permite ir além em algumas trilhas e conhecer alguns lugares que na cheia são tomados pela água e se tornam menos acessíveis.
Na primavera, as flores enchem o lugar de novos perfumes, os ipês em agosto e as quaresmeiras em setembro. As chuvas voltam para abastecer as nascentes e tornar tudo ainda mais verde, novamente.

VISITE CARRANCAS, UAI?